Engenheiro da OpenAI detido por instalar dispositivo de gravação secreto em sala de conferências
Um engenheiro da OpenAI foi detido na terça-feira, 13 de Outubro, por instalar um dispositivo de gravação de áudio numa sala de conferências da empresa, em San Francisco, nos Estados Unidos. Curiosamente, a própria OpenAI descobriu o equipamento com recurso aos seus modelos de inteligência artificial.
O funcionário chama-se Abdulrahman Alfozan, tem 35 anos e é de nacionalidade saudita. Além disso, trabalha na OpenAI desde Julho de 2025. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, o engenheiro ligou o dispositivo à entrada USB de uma televisão na sala de conferências da administração.
Dispositivo estava escondido com papel higiénico
O equipamento era pequeno e tinha um microfone. Além disso, permitia a ligação a uma câmara e armazenava dados de forma encriptada. Para dificultar a descoberta, o responsável escondeu-o com papel higiénico.
As autoridades acreditam que a instalação ocorreu por volta de 28 de Setembro. Entretanto, a OpenAI descobriu o dispositivo dois dias depois.
Segundo o director do FBI, Kash Patel, Alfozan pretendia captar discretamente comunicações sensíveis sobre a tecnologia de inteligência artificial da empresa.
FBI encontrou outro dispositivo nos pertences do engenheiro
Durante a detenção, os agentes do FBI encontraram outro dispositivo semelhante entre os pertences de Alfozan.
Por esse motivo, a OpenAI e as autoridades suspeitam que o engenheiro planeava instalar mais equipamentos noutras salas. Dessa forma, poderia captar um volume maior de comunicações internas.
Inteligência artificial ajudou a identificar o responsável
Um dos aspectos mais curiosos do caso envolve a própria inteligência artificial da OpenAI. A empresa utilizou os seus modelos para analisar o dispositivo e identificar o funcionário responsável pela instalação.
Segundo uma publicação da empresa na rede social X, os modelos ajudaram a compreender o equipamento e a determinar a sua origem. Além disso, permitiram identificar o funcionário que o instalou alguns dias antes.
Entretanto, a OpenAI comunicou o caso ao FBI e garantiu que vai colaborar com as autoridades durante a investigação.
A empresa também esclareceu que, até ao momento, não encontrou indícios de que o funcionário tenha acedido ou extraído indevidamente modelos, códigos-fonte ou dados de clientes. Ainda assim, confirmou o despedimento do engenheiro.
Caso aumenta a preocupação com a segurança no sector da inteligência artificial
O incidente surge num contexto de crescente preocupação com a protecção de informações confidenciais no sector da inteligência artificial. Actualmente, as empresas investem fortemente no desenvolvimento de novas tecnologias e na protecção dos seus segredos industriais.
Por isso, qualquer tentativa de acesso indevido a informações internas pode representar um risco significativo para estas organizações.
A OpenAI aproveitou também o caso para destacar a importância dos seus mecanismos de segurança. Segundo a empresa, o programa de segurança procura proteger os seus sistemas contra diferentes ameaças, incluindo riscos internos, cibercriminosos e até intervenções de Estados.
Assim, o episódio demonstra como as ferramentas de inteligência artificial podem ajudar as empresas a investigar incidentes de segurança. Ao mesmo tempo, reforça a importância de proteger informações sensíveis num sector cada vez mais competitivo.
