Uma das mulheres mais ricas da África do Sul lança fundo de IA
Magda Wierzycka, fundadora e CEO da Sygnia, vai lançar um fundo de capital de risco para investir em startups sul-africanas de inteligência artificial. Trata-se de uma das mulheres de negócios mais bem-sucedidas do país e, segundo várias fontes, a bilionária self-made mais rica da África do Sul.
Um percurso de sucesso na Sygnia
A Sygnia foi fundada há 20 anos por Wierzycka. Desde então, os activos sob gestão da empresa cresceram de 2 mil milhões para 461 mil milhões de rands. Em 2025, a empresa registou um lucro após impostos de 383,2 milhões de rands, um aumento de 10,4% face ao ano anterior. Além disso, a Sygnia está avaliada em cerca de 5,22 mil milhões de rands, sendo que mais de metade das acções pertence à própria Wierzycka.
O alerta de Davos
Wierzycka participou recentemente no Fórum Económico Mundial em Davos. De lá, regressou preocupada com a direcção que a inteligência artificial está a tomar. “Estamos a construir uma economia agêntica onde, efectivamente, os agentes de IA vão assumir a maioria das tarefas que estamos habituados a realizar nós próprios”, afirmou.
Por isso, destacou que a África do Sul corre o risco de ficar de fora dos benefícios económicos da expansão da IA. Para a empresária, a falta de financiamento e apoio locais é o principal obstáculo. “A menos que alguém tome medidas deliberadas para apoiar o capital intelectual da África do Sul com dinheiro, tudo o que estamos a fazer é exportar os nossos melhores engenheiros de software”, disse.
O problema do capital estrangeiro
Wierzycka acredita que a África do Sul tem o mesmo capital intelectual disponível que países como o Reino Unido ou os Estados Unidos. Contudo, falta apoio estruturado de capital a nível local. Assim, muitas startups acabam por procurar financiamento em fundos de capital de risco estrangeiros, frequentemente nos EUA.
“Colocam 500.000 dólares na empresa e, de repente, ficam com a empresa”, explicou. Noutros casos, os fundadores simplesmente abandonam o país. “Estamos a permitir que os fundadores de startups de IA saiam da África do Sul e levem a sua propriedade intelectual consigo”, alertou.
O novo fundo e os planos da Sygnia
A Sygnia planeia anunciar formalmente o novo fundo esta semana. Wierzycka pretende tê-lo totalmente operacional com capital semente nos próximos seis meses. Além do financiamento, a empresa pretende também ensinar as startups a obter licenciamentos, a promoverem-se e a transformarem conceitos em propostas concretas.
Para identificar as melhores ideias, a Sygnia vai ainda organizar uma competição nacional estruturada para fundadores de startups de IA. Desta forma, o fundo não se limita a injectar dinheiro — procura, acima de tudo, construir um ecossistema de inovação sustentável.
O regresso à África do Sul
Wierzycka revelou em dezembro de 2025 ter regressado à África do Sul após sete anos como residente fiscal no Reino Unido. As recentes alterações fiscais britânicas contribuíram para essa decisão. No entanto, não foram o único factor.
“O mundo tornou-se profundamente polarizado não só devido a forças geopolíticas, mas também devido à corrida acelerada pela dominância da IA”, afirmou. A sua estadia no Reino Unido permitiu-lhe identificar uma lacuna evidente na África do Sul: a ausência de uma verdadeira indústria de capital de risco, apesar de o país ter uma das populações mais jovens do mundo.
Conclusão
O novo fundo de Magda Wierzycka representa uma aposta estratégica no futuro tecnológico da África do Sul. Num momento em que a IA redefine economias globais, a iniciativa pretende reter talento local e construir uma indústria de inovação sustentável. Para as startups sul-africanas, pode ser a oportunidade que faltava.




