DeepSeek lança novo modelo de IA para rivalizar com os EUA
A empresa chinesa DeepSeek prepara-se para lançar esta semana o modelo V4, o seu novo sistema de inteligência artificial. Trata-se do primeiro grande lançamento da empresa desde janeiro de 2025. Além disso, chega num momento politicamente estratégico para a China.
Um modelo multimodal e Made in China
O novo modelo V4 é descrito como “multimodal”. Isto significa que tem capacidade para gerar texto, imagem e vídeo em simultâneo. De acordo com o Financial Times, que cita fontes familiarizadas com o assunto, a DeepSeek trabalhou com fabricantes chineses de chips nomeadamente a Huawei e a Cambricon para optimizar o novo modelo para os seus produtos mais recentes.
Esta estratégia não é acidental. Pelo contrário, sinaliza os esforços de Pequim para reduzir a dependência dos semicondutores da Nvidia, empresa norte-americana sujeita a controlos de exportação impostos por Washington.
O momento político do lançamento
O lançamento está previsto para ocorrer antes das “Duas Sessões”, a reunião anual da Assembleia Nacional Popular, que começa a 4 de março. Trata-se do evento político de maior visibilidade na China. Por isso, o timing do lançamento poderá reforçar o estatuto da DeepSeek como campeã nacional da inteligência artificial.
O impacto do R1 em janeiro de 2025
Para perceber a relevância do V4, é importante recordar o que aconteceu com o modelo anterior. Em janeiro de 2025, a DeepSeek lançou o modelo de raciocínio R1 e afirmou ter desenvolvido um sistema comparável aos principais modelos do Vale do Silício com apenas uma fração do poder computacional utilizado pelos concorrentes. O anúncio provocou uma forte reação nos mercados tecnológicos norte-americanos. Desde então, a empresa limitou-se a lançar actualizações incrementais, enquanto rivais domésticos como a Alibaba e a Moonshot procuraram captar a procura por modelos chineses de código aberto.
Implicações para o mercado de chips
A optimização do V4 para chips produzidos na China poderá ter consequências significativas para o sector. Por um lado, poderá impulsionar a procura por semicondutores locais. Por outro, poderá acelerar a substituição de fabricantes norte-americanos como a Nvidia e a AMD na fase de inferência ou seja, na geração de respostas por modelos já treinados.
Contudo, a Nvidia continua a dominar o mercado de chips utilizados na fase de pré-treino, mais intensiva em computação. De facto, o Financial Times noticiou anteriormente que a DeepSeek tentou realizar esta etapa em hardware da Huawei, mas enfrentou dificuldades técnicas.
Acusações de cópia
Entretanto, a empresa norte-americana Anthropic acusou esta semana a DeepSeek e outras duas empresas chinesas de recorrerem a “ataques de destilação”. Esta prática consiste em treinar modelos mais pequenos com base nos resultados de sistemas mais avançados. Desta forma, é possível replicar desempenho sem utilizar os mesmos recursos computacionais o que levanta sérias questões sobre propriedade intelectual no sector.
Conclusão
O lançamento do DeepSeek V4 representa mais um capítulo na corrida global pela dominância da inteligência artificial. Com chips chineses, capacidades multimodais e um timing politicamente calculado, a empresa volta a desafiar os gigantes do Vale do Silício. Resta saber se o V4 conseguirá repetir o impacto que o R1 teve há pouco mais de um ano.




